
Ainda o caso da aluna que agrediu a professora
1 - Sobre a realidade dos factos:
Àqueles que dizem que a indisciplina nas escolas piorou eu gostava de sugerir que baseassem a sua opinião em dados estatísticos fiáveis e deixassem de emitir comentários baseados em casos pontuais.
Admito uma lógica onde existam relações causa-efeito entre o aumento da escolaridade e degradação da qualidade do ensino, entre menos controlo familiar sobre os adolescentes e aumento da indisciplina. Mas onde estão os dados?
Porque com casos pontuais podemos chegar às conclusões que quisermos.
Em 1960 e 1965 -(no fascismo, vejam bem!) no liceu Gil Vicente, onde andei, as aulas de religião e moral colégio eram sistemáticamente interrompidas porque os alunos se entretinham a atirar aviões de papel para o quadro. E quando o padre apagava a luz, para passar uns slides da vida de Cristo, metade da turma bombardeava a outra metade com tudo o que tinha à mão. Quando os professores faziam queixa ao director do ciclo ou ao reitor, os prevaricadores eram severamente punidos com dias de suspensão, mas o professor mostrava aí a sua fraqueza - não fora capaz de se impôr, tivera que recorrer a uma força externa.
Posteriormente, num colégio particular para onde passei, os meus colegas agrediam o professor de filosofia com giz, quando este se virava de costas. A indisciplina era de tal ordem que ele tolerava - melhor: preferia - que a turma fosse para a janela ver a menina que vivia no prédio em frente pois assim podia dar matéria aos únicos 4 alunos que o respeitavam.
Mas o que dá que pensar é que o grupo não funcionava assim com todos os professores: A frágil (?) professora de Física ( 1,50 m de altura! ) impunha respeito, ninguém se atrevia a enfrentá-la, e quando vinham as notas toda a turma tremia.
2 - Sobre a questão da "culpa"
A existência de um "culpado" traz uma paz de espírito muito grande. O nosso entendimento do mundo fica coxo se não existe uma causa por detrás de um problema!
Portanto:
Culpemos o governo (pode ser que renda uns votos!) por não dignificar a profissão de professor!
Culpemos os pais da aluna que não souberam educar a adolescente. (E de passagem o governo porque causador de condições económicas e sociais que fazem com que as famílias não tenham tempo para acompanhar os filhos)
Culpemos o sistema de ensino (e o governo!) que inflaciona os direitos dos alunos, transmitindo-lhes a crença de facilitismo e irresponsabilidade.
Culpemos a professora por não ter agido da forma mais prudente recusando-se a dar aula em vez de confrontar a aluna. (E o governo porque tem vindo a depreciar a autoridade do professor)
1 - Sobre a realidade dos factos:
Àqueles que dizem que a indisciplina nas escolas piorou eu gostava de sugerir que baseassem a sua opinião em dados estatísticos fiáveis e deixassem de emitir comentários baseados em casos pontuais.
Admito uma lógica onde existam relações causa-efeito entre o aumento da escolaridade e degradação da qualidade do ensino, entre menos controlo familiar sobre os adolescentes e aumento da indisciplina. Mas onde estão os dados?
Porque com casos pontuais podemos chegar às conclusões que quisermos.
Em 1960 e 1965 -(no fascismo, vejam bem!) no liceu Gil Vicente, onde andei, as aulas de religião e moral colégio eram sistemáticamente interrompidas porque os alunos se entretinham a atirar aviões de papel para o quadro. E quando o padre apagava a luz, para passar uns slides da vida de Cristo, metade da turma bombardeava a outra metade com tudo o que tinha à mão. Quando os professores faziam queixa ao director do ciclo ou ao reitor, os prevaricadores eram severamente punidos com dias de suspensão, mas o professor mostrava aí a sua fraqueza - não fora capaz de se impôr, tivera que recorrer a uma força externa.
Posteriormente, num colégio particular para onde passei, os meus colegas agrediam o professor de filosofia com giz, quando este se virava de costas. A indisciplina era de tal ordem que ele tolerava - melhor: preferia - que a turma fosse para a janela ver a menina que vivia no prédio em frente pois assim podia dar matéria aos únicos 4 alunos que o respeitavam.
Mas o que dá que pensar é que o grupo não funcionava assim com todos os professores: A frágil (?) professora de Física ( 1,50 m de altura! ) impunha respeito, ninguém se atrevia a enfrentá-la, e quando vinham as notas toda a turma tremia.
2 - Sobre a questão da "culpa"
A existência de um "culpado" traz uma paz de espírito muito grande. O nosso entendimento do mundo fica coxo se não existe uma causa por detrás de um problema!
Portanto:
Culpemos o governo (pode ser que renda uns votos!) por não dignificar a profissão de professor!
Culpemos os pais da aluna que não souberam educar a adolescente. (E de passagem o governo porque causador de condições económicas e sociais que fazem com que as famílias não tenham tempo para acompanhar os filhos)
Culpemos o sistema de ensino (e o governo!) que inflaciona os direitos dos alunos, transmitindo-lhes a crença de facilitismo e irresponsabilidade.
Culpemos a professora por não ter agido da forma mais prudente recusando-se a dar aula em vez de confrontar a aluna. (E o governo porque tem vindo a depreciar a autoridade do professor)
3 - Sobre a autoridade
A relação de autoridade envolve sempre dois actores: quem "a" tem e quem é suposto aceitá-la. As razões que levam os alunos a olhar para o professor como alguém que tem autoridade são complexas e desgosta-me a forma ligeira com que se aborda o assunto.
Há concerteza uma autoridade formal, que imana do estatuto, mas que não podemos nunca considerar suficiente para um professor se impôr a uma turma de adolescentes se faltar a autoridade pessoal.
Os professores e os seus sindicatos deviam exigir formação comportamental para adquirirem competências em lidar com grupos, para saberem regras elementares de gestão de conflitos, para perceberem o que é liderança.
Mudou muita coisa nestes últimos 40 anos. Pode hoje, de facto, haver situações mais gravosas, mas não me venham com falsos moralismos de que "o antigamente é que era bom". Adolescentes com desejo de afirmação devem ter existido sempre.
Foi assim que Portugal se formou.
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